
Do mesmo jeito que o vento batia nos meus cabelos, eu não conseguia tirar aquilo da minha cabeça. Era forte, penetrante. Algo difícil de ser explicado. Por que as coisas têm de ser assim? Por que ainda tento ficar longe de você, se é tão óbvio que não vou conseguir? Perguntas inconstantes não saem da minha mente.
O lugar que estou é tão bonito que nem parece ser real. Eu o descobri há um mês e desde então é meu esconderijo, onde eu posso sonhar sem medo, e melhor, sem interrupção. Estava fazendo uma espécie de piquenique pra mim mesma. Peguei um pano de mesa vermelho xadrez e o coloquei na grama, que por sinal estava muito verde. Parecia uma cena de filme, a diferença é que os protagonistas sempre estão muito feliz nesse momento, e agora não havia sorriso nenhum estampado em meu rosto. Estava escurecendo, e resolvi ir embora. Levantei-me, arrumei as coisas, estava pronta pra partir. A tristeza ainda fazia parte de mim, e poucas lágrimas molhavam minha face. Quando virei de costas, tomei um susto: havia uma sombra ali. A pessoa se aproximava, e eu não sabia o que fazer. Quem se atreveria a invadir meu esconderijo? A imagem ainda estava turva, mas logo descobri quem era. O medo deu lugar ao alívio. Era ele.
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